
A discussão sobre o gênero que consagrou o capixaba Rubem Braga entusiasmou o público
Gênero que se consolidou como literário a partir da produção do escritor cachoeirense Rubem Braga, um dos mais importantes cronistas do país, a crônica norteou o debate na noite de sexta-feira (11), na quarta mesa-redonda da III Bienal Rubem Braga, realizada na praça Jerônimo Monteiro, Centro de Cachoeiro de Itapemirim.
Para debater o tema, foram convidados o escritor Moacyr Scliar, membro da Academia Brasileira de Letras, a jornalista capixaba Ana Laura Nahas e o linguista e pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Santinho Ferreira de Souza, que mediou a discussão.
A convergência entre literatura e jornalismo, bem como a especificidade da crônica como gênero eminentemente brasileiro e capaz de atrair o leitor para outros tipos de textos literários, pontuaram o debate. Scliar, um dos principais cronistas em atividade hoje n Brasil, iniciou sua fala rememorando a relação com Rubem Braga, de quem foi amigo pessoal e por cuja obra nutre especial admiração.
Crônica pode ser porta de entrada para a literatura
“Com Rubem Braga a crônica se tornou um gênero literário de fato. Em um país como o Brasil, onde o acesso ao texto é difícil, a crônica pode se transformar na porta de entrada do brasileiro no mundo da literatura”, disse, assinalando que a crônica nada mais é do que a transcrição para as páginas dos jornais, e hoje também para a internet, da conversa de bar, da realidade cotidiana das pessoas.
A jornalista Ana Laura Nahas, que há cerca de quatro anos se dedica a escrever crônicas, destacou que o gênero aproxima a realidade da vida das pessoas. “A possibilidade da troca é o que move o escritor. A crônica, mais do que qualquer outro gênero, permite isso porque é acessível, ligada ao cotidiano”, observou.
O pesquisador Santinho Ferreira, que desenvolve um projeto de extensão em escolas do ensino médio utilizando os textos de Rubem Braga como referência, destacou que para ser considerada crônica, o texto não pode ser datado, mas sim atemporal. Isso significa que deve ser capaz de abordar o cotidiano, mas numa perspectiva de encantamento do leitor em qualquer tempo.
Para quem tem interesse em escrever crônicas, a sugestão tanto de Scliar, como de Ana Laura e Santinho, é a de que se deve iniciar pela leitura dos principais cronistas do país. E, principalmente, exercitar o olhar para extrair do cotidiano assuntos que interessem ao leitor.
Scliar elogiou a realização da bienal. “Um evento como esse, no qual o livro é visto num clima de festa ajuda a desmitificar a ideia de que o livro é uma coisa muito especial. Não é. É para todo mundo”, frisou.
A III Bienal Rubem Braga é uma realização da prefeitura de Cachoeiro, por meio das secretarias de Arte e Cultura e de Educação, em parceria com a Câmara Capixaba do Livro e Secretaria de Estado da Cultura (Secult). A programação começou na noite de segunda-feira (7) e termina neste domingo(13) com show de Toquinho em praça pública, de graça.
