
Depois da mesa-redonda sobre música e literatura, Arnaldo Antunes ainda ficou na bienal para sessão de autógrafos
Artista plural, que usa a palavra como base da criação, o ex-Titã Arnaldo Antunes esteve em Cachoeiro de Itapemirim, neste sábado (12), para participar da programação da III Bienal Rubem Braga, realizada na praça Jerônimo Monteiro. Depois de falar sobre a relação entre música e literatura, numa mesa-redonda que contou com a presença do cantor e poeta capixaba Juliano Gauche, mediada pelo jornalista José Roberto Santos Neves, Antunes ainda participou de sessão de autógrafos e conversou com os fãs.
Questionado sobre suas primeiras referências literárias e a iniciação musical, Antunes disse que música e literatura sempre estiveram presentes em sua trajetória no mesmo nível de importância. “Nunca me senti especializado. Desde pequeno gostava de ler e também de música. O trânsito entre as duas linguagens é cada vez mais fluente. E isso se acentuou hoje com os meios digitais”.
Apresentado pelo jornalista José Roberto como um artista da palavra, Arnaldo reiterou que sua trajetória, nas diferentes manifestações artísticas, envolve o trabalho com a palavra. “A palavra é como se fosse uma espécie de porto seguro de onde me aventuro a outros lugares”, disse, assinalando que sempre foi dado a misturas e que nunca gostou da “camisa de força” de um gênero.
Música e poesia têm linguagens diferentes
Segundo Arnaldo, pela própria formação cultural híbrida do brasileiro, a ideia de pureza não cabe. Ele se referia à diferenciação entre letra de música e poesia, e em especial, à atribuição de mais valor à segunda. E reafirmou que poesia e música têm linguagens diferentes, mas que não se pode aferir relevância maior a um ou outro gênero.
“A diferença é da própria linguagem. No Brasil temos tradição de letras de canções populares muito sofisticadas. E há inúmeros exemplos como Noel Rosa, Vinícius de Morais, Chico Buarque, Caetano, Sérgio Sampaio, entre tantos outros de diferentes épocas. Numa canção a palavra tem que estar adaptada ao aspecto melódico, à entoação. A palavra escrita é outra coisa”, explicou.
Homenagens especiais
No encerramento da mesa-redonda, Arnaldo Antunes foi homenageado por alunos da Escola Anísio Ramos que prepararam um vídeo inspirado na música Comida, depois de estudarem a biografia e a obra do artista nos últimos meses. Para surpresa de quem participava da mesa-redonda, Antunes declamou o poema-canção Saiba, que faz parte de um projeto voltado ao público infantil.
Outra surpresa ficou a cargo de Juliano Gauche.O capixaba natural de Ecoporanga, norte do estado, que há três anos participa de projetos de resgate da obra do cachoeirense Sérgio Sampaio, ao final da discussão cantou a canção “Em nome de Deus”.
Sábado na Bienal
Dois shows movimentaram a praça Jerônimo Monteiro na noite de sábado (12). Apesar do frio incomum para Cachoeiro, milhares de pessoas, entre as quais muitas crianças, assistiram às apresentações de Bia Bedran e também do grupo O teatro mágico.
A III Bienal Rubem Braga, uma realização da prefeitura, por meio das secretarias de Arte e Cultura e de Educação, em parceria com a Câmara Capixaba do Livro e Secretaria de Estado da Cultura (Secult), começou na segunda-feira (7) e termina neste domingo, com show de Toquinho, na praça Jerônimo Monteiro, às 20h.
